
Foto: Luis Nova/Metrópoles
O Ministério da Fazenda reconheceu que não realizou nenhum estudo técnico formal para fundamentar a abrangência e as regras de formulação do programa Desenrola 2. A iniciativa é considerada uma das principais vitrines de repercussão social do governo federal.
Em resposta a questionamentos da imprensa, a pasta admitiu a ausência de um documento técnico unificado. Segundo o ministério, a estrutura do projeto foi elaborada com base em avaliações internas do próprio governo e em rodadas de conversas com representantes do setor financeiro.
Dados consolidados do último levantamento da Serasa apontam a existência de 82 milhões de cidadãos inadimplentes no Brasil. Pelas projeções oficiais do Ministério da Fazenda, o potencial total de atendimento de todas as modalidades do novo programa é de 20 milhões de pessoas, o que representa 24% do total, conforme informações do Metrópoles.
A falta de estudos específicos gerou reações no meio técnico. O cientista político Sérgio Praça classificou a formulação da política pública como improvisada, avaliando que a condução da pasta econômica demonstra maior alinhamento com interesses eleitorais do que com o rigor técnico necessário para a população.
O Desenrola 2 foca o atendimento em dívidas de natureza financeira e bancária, englobando pendências em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. As regras atuais são válidas para contratos firmados até 31 de janeiro de 2026 e que registrem atraso entre 90 dias e dois anos.