
O potiguar Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), está entre os 48 indiciados pela Polícia Federal no inquérito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
O indiciamento foi anunciado nesta terça-feira (14) e integra o primeiro relatório final da investigação. Segundo a Polícia Federal, o grupo é investigado por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema público e lavagem de dinheiro.
A CBPA, presidida por Abraão Lincoln, é uma das entidades investigadas.
De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), a confederação movimentou R$ 221,8 milhões entre fevereiro de 2023 e março de 2025 em descontos considerados irregulares sobre benefícios previdenciários.
A Advocacia-Geral da União (AGU) afirma que a entidade não possui estrutura compatível com a quantidade de filiados registrados
Histórico de investigações
Esta não é a primeira vez que Abraão Lincoln é alvo de investigações da Polícia Federal.
Em 2015, ele foi investigado na Operação Enredados, que apurou supostas irregularidades na concessão de licenças para pesca industrial. Na época, presidia a Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA), entidade diferente da atual CBPA.
Abraão chegou a ser preso em outubro daquele ano e foi libertado em janeiro de 2016 por decisão da então vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Laurita Vaz.
Além disso, ele já foi afastado judicialmente da presidência da antiga CNPA e responde a processos por corrupção e lavagem de dinheiro.
Prisão após depoimento na CPMI
Antes do indiciamento da PF, Abraão Lincoln também foi preso em flagrante por falso testemunho durante depoimento à CPMI do INSS.
A prisão foi determinada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), sob a alegação de que o dirigente teria apresentado versões contraditórias em relação às informações já reunidas pelas investigações.
Durante a mesma sessão, os parlamentares aprovaram pedidos de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Abraão Lincoln, além da solicitação de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) ao Co
Esquema pode ter causado prejuízo bilionário
Segundo a Polícia Federal, a Operação Sem Desconto apura cobranças não autorizadas feitas diretamente em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
As investigações apontam que o prejuízo aos segurados pode chegar a R$ 6 bilhões.
Além de Abraão Lincoln, também foram indiciados o ex-presidente do INSS, Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores do esquema.
Com informações de Blog do BG