
A Polícia Federal investiga a atuação da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após levantamento apontar que ela realizou mais de 40 visitas a órgãos do governo federal sem registro nas agendas oficiais de autoridades. Os dados constam de informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo a reportagem, entre janeiro de 2023 e abril de 2024, Luchsinger esteve 42 vezes em órgãos da administração federal, sendo 41 encontros sem registro oficial nas agendas públicas.
PF apura suspeita de tráfico de influência
A investigação da Polícia Federal busca apurar se Fábio Luís Lula da Silva utilizou a influência decorrente da relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para defender interesses empresariais junto a órgãos do governo federal.
De acordo com a PF, a atuação teria ocorrido com o auxílio de Roberta Luchsinger e envolveria, principalmente, o Ministério da Saúde e o gabinete da Presidência da República.
Em duas ocasiões, segundo a apuração, a empresária esteve no Palácio do Planalto e no gabinete do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, acompanhada de Fernando Bittar, então sócio de Lulinha.
Visitas envolveram empresários e reuniões em ministérios
O levantamento aponta ainda que Roberta Luchsinger esteve acompanhada, em diferentes reuniões, de representantes de empresas como Duosystem, Grupo Bringel, World Cannabis, 3STRUCTURE IT e Unigel.
Entre os órgãos visitados estão:
- Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social;
- Ministério da Saúde;
- Palácio do Planalto;
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo a reportagem, uma das reuniões ocorreu poucos dias antes da assinatura de um contrato de R$ 31 milhões entre o Ministério do Desenvolvimento Social e a empresa 3STRUCTURE IT. A Polícia Federal também investiga eventual atuação de Lulinha em favor da companhia junto à Dataprev e outros órgãos públicos.
Governo afirma que reuniões não geraram contratos
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) informou que os encontros realizados no Palácio do Planalto não produziram desdobramentos administrativos, contratuais ou regulatórios.
O Ministério da Saúde declarou que representantes da pasta recebem regularmente empresas e instituições para apresentação de tecnologias e soluções voltadas ao sistema público de saúde e negou que as reuniões com Roberta Luchsinger tenham resultado em contratos.
Já o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social afirmou que Wellington Dias mantém uma relação de amizade de longa data com a empresária e sustentou que os encontros não geraram qualquer ato administrativo.
Defesas negam irregularidades
A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que ela atua profissionalmente na representação institucional de clientes perante órgãos públicos nas esferas federal, estadual e municipal.
Segundo os advogados, as visitas fazem parte da atividade profissional da empresária e ocorreram de forma regular. A defesa também negou qualquer parceria comercial entre ela e Fernando Bittar.
Os advogados de Fábio Luís Lula da Silva afirmaram que ele não recebeu qualquer pagamento relacionado a negócios de empresários com o governo federal.
A Unigel informou que nunca contratou Roberta Luchsinger e negou que ela tenha qualquer vínculo familiar com integrantes da companhia. Até a publicação da reportagem, Duosystem e Grupo Bringel não haviam se manifestado.
Portal da 98 FM