Fotos: Fellipe Sampaio/STF e Nelson Jr./STF
O grupo do ministro Alexandre de Moraes no STF concentra pressão sobre Kassio Nunes Marques em uma disputa que envolve o comando do Tribunal Superior Eleitoral e a futura sucessão no Supremo. Segundo a coluna de Malu Gaspar, no O Globo, o objetivo neste momento não seria abrir uma investigação contra Nunes Marques, mas enfraquecer sua posição no TSE e evitar mudanças na linha sucessória da Corte.
Pelo rodízio de antiguidade, Moraes deve assumir a presidência do STF em setembro de 2027, tendo Nunes Marques como vice. Nos bastidores, aliados de Moraes consideram o cenário especialmente relevante diante da possibilidade de mudança na composição do Senado após as eleições e de eventual avanço de pedidos de impeachment contra ministros.
A pressão aumentou depois que Nunes Marques passou a ser citado em revelações relacionadas ao Banco Master. Mensagens atribuídas a executivos do banco mencionam pagamentos envolvendo pessoas próximas ao ministro e um contrato de advocacia que poderia chegar a R$ 427 milhões em honorários. Nunes Marques também se declarou impedido e não participou da sessão do STF do último dia 15 sobre a possibilidade de investigação da relação entre Moraes e Daniel Vorcaro.
A disputa também chegou ao TSE. Segundo a coluna, aliados de Moraes pretendem usar as suspeitas envolvendo Nunes Marques para questionar sua atuação à frente da Justiça Eleitoral e sustentar eventuais intervenções do STF em decisões do tribunal. Gilmar Mendes entrou no embate no sábado (19), quando cobrou publicamente imparcialidade da Justiça Eleitoral e afirmou que o Supremo continuará exercendo sua função de supervisão.
A movimentação contra Nunes Marques, porém, antecede o caso Master. Em 2023, aliados de Moraes já discutiam nos bastidores uma forma de impedir que ele assumisse uma vaga de ministro titular no TSE. A articulação não avançou, e Nunes Marques posteriormente assumiu a Corte Eleitoral.