
A gordura no fígado deixou de ser um problema restrito à vida adulta e já atinge um número crescente de crianças no Brasil. Estimativas apontam que mais de 4 milhões de meninos e meninas entre 5 e 10 anos convivem com a condição no país, segundo o World Obesity Atlas 2026, da Federação Mundial da Obesidade.
O avanço está diretamente ligado a mudanças no padrão alimentar e no estilo de vida, marcadas pelo aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e pela redução da atividade física. Esse cenário reflete transformações recentes na rotina das famílias, com impacto direto na saúde infantil.
O principal desafio é que a doença, conhecida como esteatose hepática associada à disfunção metabólica (MASLD), costuma evoluir de forma silenciosa. Na maioria dos casos, não há sintomas nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Quando surgem sinais de cansaço, desconforto abdominal ou alterações em exames de rotina, o quadro pode já estar mais avançado. Por isso, a identificação precoce depende, muitas vezes, de acompanhamento médico regular.
Mais do que uma questão clínica, o problema envolve o ambiente em que a criança está inserida. Rotina alimentar, tempo de tela e hábitos familiares exercem influência direta no desenvolvimento da doença. “A gordura no fígado em crianças está fortemente ligada ao excesso de peso e à má alimentação. Não é um problema isolado, mas um reflexo do estilo de vida”, explica o pediatra da Hapvida, Raphael Maia.
“Por ser silenciosa, muitas vezes só é identificada em exames de rotina, o que reforça a importância do acompanhamento pediátrico regular”, acrescenta o especialista. Ele alerta que, sem tratamento, a condição pode evoluir para quadros mais graves ao longo da vida, como inflamação no fígado, fibrose e até cirrose.
A boa notícia é que, na infância, o problema pode ser revertido com medidas relativamente simples, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do sedentarismo.
Nesse cenário, a família tem papel central. A adoção de hábitos saudáveis precisa ser coletiva, criando um ambiente que favoreça escolhas mais adequadas desde cedo. A prevenção, segundo Raphael Maia, segue sendo a principal estratégia para conter o avanço da doença e garantir mais qualidade de vida às novas gerações.