
Após atrair mais de 8 mil visitantes à Pinacoteca Potiguar, exposição leva fotografias, instalações e documentários de volta ao território e às comunidades que inspiraram suas obras
Depois de receber 8.158 visitantes na Pinacoteca Potiguar, em Natal, a exposição Faces do Reduto inicia um novo capítulo de sua trajetória: o retorno ao território onde nasceram as histórias que inspiraram suas obras.
Com abertura no dia 12 de novembro, às 19h, na Galeria Sol da Meia-Noite, em São Miguel do Gostoso, a mostra Acervo em Movimento: Faces do Reduto — De volta ao território reúne fotografias, instalações artísticas e audiovisual em diferentes espaços do município, incluindo a comunidade do Reduto e a Praia de Tourinhos.
Idealizado pela fotógrafa e documentarista Mônica Mac Dowell, com curadoria de Manoel Onofre Neto, o projeto nasceu de uma aproximação com os moradores do Reduto e de um trabalho de documentação de seus modos de vida, saberes e tradições. A pesca artesanal, a produção de farinha, o roçado, a apicultura e o bordado de labirinto atravessam uma narrativa construída a partir das experiências e memórias das pessoas que vivem nesse território do litoral norte potiguar.
A nova exposição propõe mais do que uma circulação artística. Ao levar o acervo de volta à comunidade, estabelece um reencontro entre as obras e seus protagonistas, permitindo que fotografias, objetos e instalações sejam revisitados no contexto em que suas histórias se desenvolvem. “Desde o início, o Faces do Reduto foi construído a partir da convivência, da escuta e da generosidade das pessoas que compartilharam comigo suas histórias e seus saberes. Trazer essas obras de volta é uma forma de reconhecer essa participação e permitir que sejam vistas e revistas no lugar onde tudo começou. É um reencontro que dá um novo sentido ao trabalho”, afirma Mônica Mac Dowell, idealizadora do projeto.
Na Galeria Sol da Meia-Noite, o público poderá conhecer três núcleos fotográficos inspirados nos documentários Rosa de Aroeira, A Deus Querer e Julião, Filhos da Praia, além da instalação artística Minha Jangada, que evoca o universo da pesca artesanal por meio de elementos associados às embarcações e à vida dos pescadores de Tourinhos. A galeria recebe ainda a coleção Meu Reduto, composta por acessórios que incorporam o bordado de labirinto.
As fotografias exploram diferentes relações entre imagem, identidade e território. Os suportes e acabamentos dialogam com as características de cada universo retratado: a textura do canvas de algodão aproxima as imagens dos trabalhos manuais; as impressões em papel fotográfico valorizam as nuances das paisagens e dos personagens; e o metacrilato, com seu brilho e profundidade, estabelece uma relação visual com a luz, o céu e o mar de Tourinhos.
O circuito se estende a outros espaços, aproximando as obras dos ambientes e das atividades que lhes deram origem. A Casa de Farinha do Reduto recebe a instalação Minha Farinha, que homenageia as pessoas envolvidas no processo artesanal de produção da farinha e da goma.
No Nanni Hotel, a instalação Meu Labirinto, com três metros de extensão, evidencia a delicadeza e a complexidade do bordado artesanal, saber transmitido entre gerações de mulheres do Reduto. A obra reúne a força visual do trabalho coletivo e a dimensão cultural de uma tradição que permanece viva na comunidade.
A Pousada Donna Maria recebe Meu Mel, instalação que utiliza a colmeia como metáfora da vida comunitária, evocando os laços de pertencimento, a colaboração e os saberes compartilhados que sustentam o cotidiano do Reduto.
Na Praia de Tourinhos, a Barraca de Seu Luiz Pescador integra o percurso com uma réplica da jangada de Seu Mundoca, pai de Seu Luiz, em uma homenagem à memória da pesca artesanal e à transmissão de saberes entre gerações. “Fico muito feliz de trazer de volta para Tourinhos essa lembrança da jangada do meu pai”, diz Seu Luiz, pescador da Praia de Tourinhos.
A proposta amplia a experiência da exposição para além de um único espaço, criando um percurso em que arte, cotidiano e patrimônio cultural se encontram.
Histórias que se transformam em patrimônio
Ao longo de sua trajetória, Faces do Reduto ultrapassou os espaços de exibição e contribuiu para dar visibilidade a práticas culturais e personagens da comunidade.
O bordado de labirinto recebeu reconhecimento como patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Norte. As barracas de Seu Luiz e Seu Dadá, na Praia de Tourinhos, foram reconhecidas como patrimônio cultural e turístico do estado, por meio de iniciativas legislativas da deputada estadual Divaneide Basílio. Seu Luiz também recebeu uma Moção de Aplauso da Assembleia Legislativa, em reconhecimento à sua trajetória como guardião da pesca artesanal, em iniciativa articulada com o projeto Faces do Reduto.
Outros desdobramentos incluem o reconhecimento e a premiação de Dona Mariquinha como mestra da cultura tradicional, ações educativas com escolas e iniciativas de valorização dos saberes locais.
Em 2026, Faces do Reduto foi finalista do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ampliando a projeção de um trabalho que articula arte, memória, patrimônio e participação comunitária.
Cinema, encontros e continuidade
A programação inclui a exibição da Trilogia Poética do Reduto, formada pelos documentários Rosa de Aroeira (2020), A Deus Querer (2022) e Julião, Filhos da Praia (2024), dirigidos por Mônica Mac Dowell, com trilhas sonoras originais de Valéria Oliveira.
A sessão será realizada no Circo Pé na Mala, em janeiro de 2027, quando os jovens retomarem suas atividades, seguida de um bate-papo com o público. A ação amplia o diálogo entre as obras audiovisuais, os moradores e os visitantes, dando continuidade ao processo de escuta e troca que caracteriza o projeto.
A exposição também reafirma a importância de fazer circular os acervos artísticos para além dos grandes centros e de criar oportunidades para que as próprias comunidades se reconheçam nas narrativas produzidas sobre seus territórios.
Depois de passar pela Pinacoteca Potiguar, pelo Hotel-Escola Barreira Roxa, pelo Sebrae RN e por outros espaços culturais e institucionais do Rio Grande do Norte, Faces do Reduto encontra, em seu retorno a São Miguel do Gostoso, uma nova forma de permanência: a arte que volta às suas origens e se abre a novos encontros.
Serviço:
Exposição: Acervo em Movimento: Faces do Reduto — De volta ao território
Abertura: 12 de novembro de 2026, às 19h
Local da abertura: Galeria Sol da Meia-Noite — São Miguel do Gostoso/RN
Circuito: Galeria Sol da Meia-Noite, Casa de Farinha do Reduto, Nanni Hotel, Pousada Donna Maria, Barraca de Seu Luiz Pescador e Circo Pé na Mala
Exibição da Trilogia Poética do Reduto e bate-papo: Janeiro de 2027, no Circo Pé na Mala
Concepção e coordenação geral: Mônica Mac Dowell
Fotografia e direção dos documentários: Mônica Mac Dowell
Curadoria: Manoel Onofre Neto
Expografia: Rafael Sordi
Trilha Sonora: Valéria Oliveira
Execução e montagem artística das instalações: Rafael Sordi e João Marcelino
Produção: Green Point Produções
Realização: Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do RN e do Ministério da Cultura
Instagram: @facesdoreduto