Reprodução/Ueno Bank

Um escândalo financeiro sem precedentes provocou um verdadeiro terremoto político e social no Paraguai. A liquidação extrajudicial do Ueno Bank, a maior instituição digital do país, com 2,9 milhões de clientes (cerca de 40% da população), deflagrou uma crise institucional que culminou na destituição e prisão do presidente Santiago Peña, além de bloquear o acesso a fundos públicos essenciais e congelar economias de milhares de correntistas.

A derrocada da instituição ocorreu após uma intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP), que constatou que o nível de solvência do Ueno havia despencado para menos da metade do mínimo exigido por lei. As investigações do Ministério Público apontam que a diretoria do banco alterava balanços para simular estabilidade financeira e concedia empréstimos irregulares a empresas vinculadas ao grupo controlador. Ocho ex-dirigentes da financeira já tiveram a prisão decretada.

O colapso financeiro atingiu diretamente as engrenagens do Estado. A instituição custodiava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, abrigando fundos estratégicos do Instituto de Previdência Social (IPS), prejudicando a subsistência de mais de 32 mil aposentados, além de verbas da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e do Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai. Sem acesso ao caixa depositado, os bombeiros, que operam sob regime voluntário, viram-se forçados a reduzir drasticamente suas operações de emergência.

No âmbito político, os desdobramentos foram fulminantes. Santiago Peña, acionista do grupo controlador da holding do banco até o início de 2025, foi acusado pela oposição de conflito de interesses, acobertamento de fraudes e direcionamento indevido de verbas estatais.

Embora o ex-mandatário tenha apresentado uma carta de renúncia, o Senado optou por não acatar o pedido e prosseguiu com o julgamento político. Em um rito sumário de apenas 48 horas, o Congresso aprovou o impeachment do presidente por unanimidade na Câmara e por 44 votos a favor no Senado. Horas após perder a imunidade do cargo, Peña foi detido pela Polícia Nacional em sua residência, em Assunção, e agora responde a processos criminais na Justiça comum por seu suposto envolvimento no esquema.

Com informações do Metrópoles

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