
O ex-presidente Jair Bolsonaro será ouvido pela Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23), às 15h, em Brasília, sobre uma pistola registrada em seu nome que foi apreendida com um de seus seguranças durante uma blitz na semana passada. O depoimento ocorre a dois dias do fim de sua prisão domiciliar e pode influenciar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a manutenção ou não da medida.
Segundo a defesa, Bolsonaro afirmará que apenas solicitou o conserto da arma após identificar uma falha em seu funcionamento. Os advogados sustentam que integrantes da equipe de segurança retiraram o percussor da pistola sem o conhecimento do ex-presidente, tornando-a inoperante como medida preventiva para evitar acidentes.
A defesa também argumenta que não existe determinação judicial para entrega do armamento ou cancelamento do registro da arma, emitido em 2019. Além disso, Bolsonaro deverá informar que não tem interesse em reaver a pistola apreendida e que está à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.
A arma, uma pistola Glock calibre 9 milímetros, foi apreendida em 15 de julho com o militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da segurança do ex-presidente. Após o episódio, Moraes determinou que a defesa explicasse por que a arma permanecia vinculada a Bolsonaro e por qual motivo havia sido encaminhada para manutenção às vésperas do término da prisão domiciliar.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal. Inicialmente, a corporação pediu que o depoimento fosse realizado por videoconferência, mas o ministro do STF determinou que a oitiva ocorresse presencialmente, já que Bolsonaro está impedido de utilizar dispositivos eletrônicos durante o cumprimento da medida judicial.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 27 de março, após internação hospitalar. Condenado pelo STF por participação em uma trama golpista, ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão. A versão apresentada no depoimento será analisada por Moraes antes da decisão sobre uma eventual prorrogação da domiciliar ou retorno do ex-presidente ao sistema prisional.
Com informações da Folha de S. Paulo