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As apreensões de drogas em contêineres nos portos brasileiros atingiram o pico de 66.771 toneladas em 2019, durante o governo Bolsonaro, e desde então caíram de forma contínua até chegar a 15.630 toneladas em 2025, já sob a gestão Lula, segundo dados da Receita Federal e da Polícia Federal divulgados pela CNN Brasil.
Os volumes recuaram ano a ano, segundo dados da Receita Federal e da PF:
- 2019: 66.771 kg;
- 2020: 48.265 kg;
- 2021: 46.884 kg;
- 2022: 32.470 kg;
- 2023: 22.993 kg;
- 2024: 16.698 kg;
- 2025: 15.630 kg;
- 2026: 2.507kg, até maio, o que projeta o pior resultado da série histórica.
A Polícia Federal aponta que a queda nos portos não significa redução no fluxo de cocaína exportada pelo Brasil. O que mudou foi a estratégia do crime organizado, que migrou o transporte de contêineres para embarcações menores, especialmente barcos pesqueiros com destino à Europa e à África. Drogas também já foram interceptadas em veleiros, semissubmersíveis e navios de carga de pequeno porte. Investigações da PF revelaram ainda a atuação de mergulhadores a serviço de facções, responsáveis por acoplar drogas no casco de navios para burlar a fiscalização.
No primeiro semestre de 2026, um navio com bandeira brasileira que partiu de Serra Leoa rumo à França foi apreendido com 6 toneladas de cocaína. A PF suspeita que a droga chegou à costa africana por meio de pesqueiros brasileiros vindos do Suriname e da Guiana. Entre as causas da queda nos portos, investigadores citam a ampliação da segurança nos terminais, como scanners cobrindo 100% das exportações e mais câmeras de vigilância, além do redirecionamento de rotas para portos da Colômbia, Equador e Peru.
Os números colocam em xeque a leitura sobre o combate ao narcotráfico nos dois governos. Na gestão Bolsonaro, os recordes de apreensão eram apresentados como prova de eficiência. No governo Lula, a queda acentuada levanta um dilema: ou a fiscalização portuária afastou o tráfico dos terminais, ou o crime organizado encontrou rotas que o Estado ainda não consegue vigiar. Os dados da própria PF sugerem que a segunda hipótese é a mais provável, e a fiscalização em alto-mar ao longo de mais de 7 mil quilômetros de costa se tornou o novo desafio.