Foto: Ana Paula Paiva/Valor

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tinha pelo menos R$ 14,3 bilhões investidos em 16 ações judiciais que dependiam de decisões dos tribunais para gerar retorno. De acordo com a Folha de S.Paulo, os negócios envolviam a compra de direitos sobre possíveis indenizações da União a usinas de açúcar e álcool.

Os ativos, conhecidos como pré-precatórios, eram comprados por valores que podiam ficar na faixa de 20% da indenização estimada. Decisões favoráveis no STJ e no STF poderiam representar ganhos bilionários aos detentores desses direitos. A União seria responsável pelos pagamentos.

Segundo a reportagem, esses interesses estão no centro das relações mantidas por Vorcaro com integrantes do Judiciário e familiares de ministros. Mensagens apreendidas mostram discussões sobre o pagamento de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. O ministro afirmou que nunca votou a favor de Vorcaro, nunca trocou mensagens com ele e não autorizou ninguém a falar em seu nome.

O Master também mantinha contrato de R$ 129 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. No STJ, mensagens reveladas pela investigação mostram ainda conversas de Vorcaro com o ministro Benedito Gonçalves.

As investigações apontaram ainda que o Master possuía R$ 21 bilhões em precatórios e pré-precatórios, embora apenas R$ 8 bilhões aparecessem no balanço do banco. Outros R$ 13 bilhões estavam em estruturas de fundos de investimento. Em uma operação, um pré-precatório teve valorização superior a R$ 100 milhões em menos de 24 horas.

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