Pesquisa mostra que preocupação com o futuro já é majoritária, mas 62% da amostra não tem previdência privada; mulheres e pessoas próximas da aposentadoria aparecem como mais vulneráveisRio de Janeiro, 08 de outubro de 2026 – A percepção de que somente a renda do INSS não será suficiente para manter o padrão de vida na aposentadoria já é praticamente consenso entre os brasileiros. Pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, agência especializada em dados, SEO e inteligência de comportamento digital, mostra que 92% dos entrevistados acreditam que a previdência pública será insuficiente para garantir estabilidade financeira no futuro. Apesar disso, a preocupação ainda não se converte em planejamento concreto. Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados afirmam não possuir previdência privada.
“A previdência social é base essencial para a aposentadoria dos brasileiros. Mas, para manter o padrão de vida e garantir mais segurança no futuro, é importante que cada pessoa tenha também uma estratégia de planejamento individual. A aposentadoria precisa ser construída muito antes do último dia de trabalho”, afirma Henrique Diniz, diretor de Previdência da Icatu Seguros.
Brasileiro quer previsibilidade, mas ainda não sabe quanto precisa acumular
A pesquisa mostra que a maior parte dos entrevistados já percebe a necessidade de se preparar financeiramente, mas ainda tem dificuldade para dimensionar esse desafio. Entre os participantes, 58% afirmam ter uma noção aproximada de quanto precisariam receber por mês para manter o padrão de vida na aposentadoria; 28% dizem saber estimar esse valor com precisão; e 14% admitem não conseguir projetar a renda necessária.
Para Diniz, o dado indica que o principal obstáculo deixou de ser apenas a falta de consciência sobre a aposentadoria. “O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada. É nesse ponto que orientação, educação financeira e acesso a soluções adequadas fazem diferença”, afirma.
O estudo também revela que a aposentadoria ainda é fortemente associada à busca por estabilidade. Entre os entrevistados, 63% afirmam preferir receber uma renda mensal no futuro, em vez de sacar todo o patrimônio acumulado de uma só vez. Outros 24% dizem preferir retirar os recursos aos poucos, conforme a necessidade. Apenas 8% gostariam de receber todo o valor de uma vez.
Esse comportamento já começa a aparecer também nos dados da Icatu Seguros. A procura por conversão do valor acumulado em renda atingiu recorde histórico em 2025, com crescimento de 47% em relação a 2024.
“Durante muito tempo, a previdência foi vista quase exclusivamente pela ótica da acumulação. Hoje, cresce a percepção de que o grande objetivo do planejamento financeiro é transformar patrimônio em renda previsível, capaz de sustentar a vida na aposentadoria”, diz Diniz.
Medo de faltar dinheiro domina as preocupações
A insegurança financeira aparece como o principal temor dos brasileiros em relação à aposentadoria. Segundo a pesquisa, 78% das preocupações mencionadas estão ligadas diretamente à possibilidade de insuficiência de recursos no futuro.
Entre os receios mais citados estão precisar de dinheiro para emergências, mencionado por 30% dos entrevistados; não ter renda suficiente para as despesas do dia a dia, apontado por 24%; e ver o dinheiro acabar antes do fim da vida, preocupação de 23%.
Geração X e mulheres acendem alerta
O levantamento mostra um ponto de atenção entre pessoas de 45 a 60 anos, faixa etária mais próxima da aposentadoria. Mesmo nesse grupo, apenas 18% afirmam já ter uma reserva significativa para o futuro. A maior parte declara ter acumulado pouco patrimônio ou ainda estar distante do necessário para se aposentar com tranquilidade.
A pesquisa também aponta diferenças relevantes entre homens e mulheres. Entre elas, 29% afirmam ainda não ter começado a se preparar financeiramente para a aposentadoria, percentual superior ao observado entre os homens, de 14%. Os resultados também indicam que as mulheres tendem a discutir aposentadoria principalmente dentro do núcleo familiar, enquanto eles ampliam mais essas conversas para assessores financeiros, gerentes de banco e especialistas.
Previdência privada ainda se concentra nas rendas mais altas
O estudo também evidencia a relação direta entre renda e acesso à previdência privada. Entre famílias com renda superior a R$ 28 mil mensais, 71% afirmam possuir previdência privada. Nas faixas de renda mais baixas, a presença do produto é significativamente menor.
Para Diniz, o dado reforça a necessidade de ampliar a discussão sobre planejamento financeiro para diferentes perfis de renda. “O desafio do país não é apenas ampliar o acesso a produtos financeiros, mas tornar o planejamento de longo prazo mais compreensível, acessível e conectado à realidade de cada pessoa”, conclui.
Metodologia
A pesquisa foi realizada em maio de 2026, com 500 pessoas conectadas à internet, de todos os estados do Brasil.
Abrangência: nacional
Perfil da amostra:
Gênero: 60% mulheres e 40% homens
Idade: respondentes a partir de 18 anos
Regiões: Sudeste, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte
Situação profissional: empregados, desempregados, autônomos, estudantes, aposentados, entre outros perfis
Pesquisa completa: Acesse aqui