Mitos e verdades sobre a prematuridade o que os pais precisam saber sobre os bebês que nascem antes do tempo
Todo prematuro precisa ficar na incubadora? O contato com os pais é permitido durante a internação? A neonatologista Dra. Luciana Alla, do Hospital e Maternidade Santa Maria, esclarece as principais dúvidas sobre os cuidados, a amamentação e o desenvolvimento desses bebês
São Paulo, outubro de 2026 – O nascimento antes do tempo pode trazer muitas dúvidas para as famílias. Será que todo bebê prematuro precisa ficar na incubadora? O contato com a mãe é permitido durante a internação? E um bebê que nasce antes das 37 semanas necessariamente terá problemas de desenvolvimento?
A prematuridade acontece quando o bebê nasce antes de completar 37 semanas de gestação e exige cuidados que variam conforme a idade gestacional, o peso ao nascer e as condições clínicas de cada recém-nascido. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 13,4 milhões de bebês nasceram prematuros em 2020, o equivalente a aproximadamente um em cada dez nascimentos no mundo.
Com os avanços da neonatologia, novas tecnologias e estratégias assistenciais ampliam as possibilidades de cuidado, mas algumas informações equivocadas ainda podem aumentar a insegurança dos pais. Para esclarecer as principais dúvidas, a Dra. Luciana Alla, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Maria, explica o que é mito e o que é verdade quando o assunto é prematuridade.
1. Todo bebê prematuro precisa ficar na incubadora?
Mito. A incubadora é um recurso importante para ajudar a manter a temperatura corporal do recém-nascido, mas sua utilização depende das necessidades de cada bebê. Alguns prematuros precisam desse suporte por mais tempo, enquanto outros podem receber cuidados em diferentes ambientes, conforme a evolução clínica e a capacidade de manter a temperatura estável.
2. Todo bebê prematuro apresenta problemas de saúde?
Mito. A prematuridade aumenta o risco de algumas complicações, mas isso não significa que todos os bebês terão problemas de saúde. A idade gestacional, o peso ao nascer e as condições clínicas influenciam as necessidades de assistência e o prognóstico. Por isso, cada recém-nascido precisa de avaliação individualizada e acompanhamento adequado.
3. Os pais não podem pegar o bebê no colo durante a internação?
Mito. Sempre que as condições clínicas permitem, o contato físico e a proximidade com os pais são incentivados pela equipe assistencial. O Método Canguru, que inclui o contato pele a pele, pode favorecer o vínculo, contribuir para a estabilidade do bebê e apoiar o aleitamento materno. A realização deve respeitar as condições clínicas do recém-nascido e as orientações dos profissionais responsáveis.
4. Quanto menor a idade gestacional, maiores podem ser os desafios?
Verdade. Bebês que nascem muito antes do tempo apresentam maior risco de complicações porque órgãos e sistemas, como os pulmões, o cérebro e o sistema digestivo, ainda estão em desenvolvimento. Isso pode exigir suporte respiratório, controle rigoroso da temperatura, estratégias nutricionais específicas e monitoramento contínuo. A evolução, porém, varia de criança para criança.
5. O bebê só pode receber alta quando atingir um peso específico?
Mito. Embora o peso seja um fator importante na avaliação, ele não é o único critério para a alta hospitalar. A equipe considera aspectos como estabilidade clínica, capacidade de manter a temperatura corporal, alimentação segura e suficiente e ausência de necessidades de suporte que exijam internação. A decisão é individualizada e leva em conta também a preparação da família para os cuidados em casa.
6. A amamentação pode ser mais desafiadora para os prematuros?
Verdade. Dependendo da idade gestacional e da maturidade, o bebê pode apresentar dificuldade para coordenar sucção, deglutição e respiração. Em algumas situações, é necessário iniciar a alimentação por outros meios e avançar gradualmente, conforme a evolução clínica. O leite materno é especialmente importante para esses recém-nascidos, e a equipe pode orientar a mãe sobre a ordenha, a oferta do leite e o estabelecimento da amamentação.
7. Depois da alta, o bebê prematuro precisa de acompanhamento especial?
Verdade. O acompanhamento após a internação é fundamental para avaliar o crescimento e o desenvolvimento da criança, além de identificar precocemente possíveis dificuldades. Dependendo do histórico clínico, podem ser necessárias avaliações específicas de visão, audição, desenvolvimento neurológico e alimentação. As consultas também ajudam a orientar a família sobre vacinação, prevenção de infecções e cuidados cotidianos.
Informação também faz parte do cuidado
Para a Dra. Luciana Alla, compreender as particularidades da prematuridade ajuda a reduzir a ansiedade e permite que os pais participem de forma mais segura da assistência ao bebê.
“Cada prematuro tem seu próprio ritmo de evolução. A tecnologia e o acompanhamento especializado são fundamentais, mas a participação da família, o acolhimento e as orientações oferecidas ao longo da internação também fazem diferença. Nosso papel é cuidar do bebê de forma individualizada e preparar os pais para cada etapa dessa jornada”, destaca a neonatologista.