
Brasil registra mais de 50 mil mortes em sete meses
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) causou 50.424 mortes no Brasil entre janeiro e julho de 2026, uma média de uma morte a cada seis minutos. No mesmo período, foram registradas 182.253 internações pela doença, segundo dados do Datasus. As hospitalizações por AVC também cresceram nos últimos anos. Entre 2020 e 2025, o número passou de 236.930 para 292.930, uma alta de 23,6%.
No Rio Grande do Norte, 247 pessoas morreram em decorrência de AVC no primeiro semestre de 2026, segundo dados do DataSUS. No mesmo período, o estado registrou 939 mortes por doenças isquêmicas do coração, entre elas o infarto, e 112 por insuficiência cardíaca. Juntas, essas condições foram responsáveis por 1.298 mortes no estado.
Celebrado em 29 de outubro, o Dia Mundial do AVC destaca a importância do diagnóstico rápido para reduzir o risco de complicações. O neurologista Drusus Peréz Marques, da Hapvida, explica quais sinais podem indicar a doença e o motivo de algumas manifestações serem confundidas com outros problemas de saúde.
Sintomas podem ser confundidos com outras doenças
Os sinais mais característicos do AVC envolvem a perda de uma capacidade que a pessoa tinha anteriormente, como movimentar os braços ou as pernas, falar, enxergar ou ficar em pé.
Segundo o neurologista, o AVC geralmente provoca a perda súbita de alguma função, mas os sinais nem sempre são reconhecidos de imediato. “Em alguns casos, a pessoa apresenta dificuldade para compreender a linguagem, começa a falar frases sem sentido ou demonstra alterações de comportamento, que podem ser confundidas com problemas psiquiátricos. A perda de parte da visão também pode ser atribuída a problemas oftalmológicos, enquanto tontura e vertigem podem ser confundidas com labirintite”, explica.
Nos casos de AVC hemorrágico, uma dor de cabeça muito intensa também pode ocorrer, acompanhada de outros sintomas neurológicos.
Atendimento rápido pode reduzir o risco de sequelas
A perda de força em um dos lados do corpo, o desvio da boca e a dificuldade para falar estão entre os sinais que exigem atenção imediata. Alterações visuais, vertigem e dor de cabeça intensa também podem indicar um AVC e precisam de avaliação médica. Para o especialista, diante da suspeita, é importante procurar um serviço de emergência sem esperar que os sintomas desapareçam. “É preferível procurar um hospital e descobrir que não se trata de um AVC do que deixar de buscar assistência quando a doença está presente. O diagnóstico e o atendimento precoces são fundamentais para que o paciente tenha acesso ao tratamento adequado”, alerta Drusus.
No AVC isquêmico, a obstrução de um vaso interrompe a chegada de sangue a uma região do cérebro. Sem circulação adequada, o tecido cerebral pode sofrer lesões irreversíveis em poucos minutos ou horas. Quando o tratamento ocorre em tempo hábil, é possível restabelecer o fluxo sanguíneo e recuperar funções afetadas.
Já no AVC hemorrágico, o rompimento de um vaso provoca sangramento no cérebro e exige atendimento imediato. A avaliação médica permite definir o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações.
Hipertensão é o principal fator de risco
A pressão alta é o principal fator de risco para o AVC, explica o neurologista. O colesterol elevado, o diabetes, o tabagismo e o sedentarismo também aumentam as chances de ocorrência da doença. “Algumas condições genéticas e doenças cardíacas podem contribuir para o problema. Manter a pressão arterial controlada é uma das medidas mais importantes para prevenir o AVC”, ressalta.
A prevenção também envolve alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento dos níveis de colesterol e glicose. Pessoas com doenças cardíacas devem manter acompanhamento médico para avaliar os riscos e receber orientações individualizadas. O controle desses fatores, aliado ao reconhecimento dos sintomas e à procura imediata por atendimento, pode reduzir as chances de AVC e suas consequências.