Foto: Reprodução/Youtube/Dcmlivetv

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger apontam que ela ordenou pagamentos a funcionários do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), entre eles o secretário-executivo adjunto da pasta, Ranniêr Costa Ciríaco, e o coordenador do cerimonial, José Martinho Ferreira de Araújo, de acordo com reportagem do Estadão, publicada nesta quarta-feira (23).

Roberta orientou o operador financeiro Ulisses Barbosa a retirar R$ 60 mil em dinheiro vivo que estavam guardados em sua residência e distribuir o valor em três contas bancárias, conforme apontam investigações da PF. Os depósitos foram realizados em 2 de junho de 2023 e acompanhados de comprovantes encontrados pelos investigadores.

Imagem: Reprodução

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Antes das transferências, Barbosa demonstrou preocupação com o volume movimentado. “Esse montante de 60k tem que ser diluído para depositar.. pq o banco faz uma série de questionamentos”, disse. Roberta respondeu que o dinheiro seria enviado para três contas.

No banco, o operador voltou a alertá-la: “Já estou no banco. Acima de 50 mil por dia por CPF a moça disse que o Banco Central já fica de olho… já aciona tipo um alerta lá. Só avisando”.


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Uma das contas era de Ranniêr. A segunda pertencia a José Martinho. A terceira, segundo a PF, seria da mãe da filha de Martinho.

As mensagens e os comprovantes se somam a pagamentos de R$ 217 mil que, segundo a investigação, Roberta já havia feito ao ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

A PF também identificou conversas entre Roberta e o empresário Cléber Ribas, que era representado por ela. Em uma mensagem de junho de 2023, ao tratar de um assunto envolvendo Ranniêr, a lobista escreveu: “To resolvendo seu problema”.

Seis meses depois dos pagamentos, o MDS contratou a empresa 3Structure, ligada a Ribas, por R$ 31,2 milhões. O contrato recebeu posteriormente um aditivo de R$ 2,7 milhões e um novo acordo de R$ 19,2 milhões.

A defesa de Lulinha afirmou que ele não tem relação com os fatos investigados. “Não é possível confirmar a autenticidade das mensagens e não nos cabe comentar sobre depósitos que não foram feitos pelo Fábio”, afirmou o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

A defesa de Roberta disse desconhecer as informações. “A defesa desconhece tais conversas, insiste que os autos estão sob sigilo e lamenta esses vazamentos ilegais com puro interesse político eleitoreiro. Estamos seguros de que as autoridades não ficarão passivas diante de tais vazamentos”, disse o advogado Roberto Podval.

A 3Structure também negou irregularidades. “A 3Structure não tem conhecimento sobre tais pagamentos. Todos os contratos firmados pela empresa com o governo federal foram assinados em estrito cumprimento das normas aplicáveis às contratações públicas e submetidos a inúmeras instâncias decisórias, análises técnicas dos órgãos contratantes e auditorias do TCU”, afirmou Ribas. A PF ainda analisa os sigilos de Roberta e deve apurar se houve outros pagamentos a integrantes do governo federal.

Com informações de Estadão

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