A doação de kits escolares para crianças e adolescentes em tratamento oncológico vai além de um gesto solidário: trata-se de uma ação que assegura o direito à educação, fortalece a autoestima e contribui para a continuidade do processo de aprendizagem durante o tratamento. Para esses estudantes, que vivenciam longos períodos de hospitalização ou atendimento domiciliar, o acesso a materiais escolares representa pertencimento, dignidade e a manutenção do vínculo com a escola e com o futuro.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), a educação é um direito de todos e deve ser garantida independentemente das condições de saúde do estudante. Nesse sentido, o kit escolar torna-se um instrumento essencial para viabilizar a prática pedagógica na classe hospitalar e no atendimento domiciliar, permitindo que a criança ou o adolescente continue aprendendo, produzindo e se reconhecendo como sujeito ativo do seu processo educacional.

Paulo Freire (1996) destaca que a educação é um ato de esperança e de humanização. Para crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer, receber um kit escolar simboliza cuidado, acolhimento e a certeza de que não foram esquecidos. Lápis, cadernos e livros carregam significados que ultrapassam o uso material, funcionando como estímulos para o desenvolvimento da autonomia, da criatividade e da confiança, aspectos fundamentais para enfrentar o tratamento com mais segurança emocional.

Segundo Vygotsky (1991), a aprendizagem ocorre por meio da interação com o meio e com os instrumentos culturais. O material escolar, nesse contexto, atua como mediador do conhecimento, possibilitando que o estudante expresse sentimentos, elabore suas vivências e mantenha ativa sua capacidade cognitiva, mesmo diante das limitações impostas pela doença. A doação desses materiais favorece a continuidade do desenvolvimento intelectual e emocional, respeitando o ritmo e as condições de cada paciente.

Assim, a doação de kits escolares para pacientes oncológicos configura-se como uma prática educativa e social de grande impacto. Ela reafirma o compromisso com a educação inclusiva, humanizada e integral, promovendo não apenas o acesso ao conhecimento, mas também a esperança, o fortalecimento emocional e a valorização da vida. Garantir o direito de aprender, mesmo durante o tratamento, é contribuir para que crianças e adolescentes mantenham seus sonhos, projetos e perspectivas de futuro.

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Quando a doença avança, ainda há necessidade da fisioterapia?
Cinthia Moreno – Fisioterapeuta Casa Durval Paiva – CREFITO 83476-F

Há alguns dias uma mãe esteve no setor de fisioterapia e disse que parou de trazer o filho para atendimento porque a doença estava avançando e ela achava que não tinha como ele ter melhora com a fisioterapia. Sendo assim, era mais conveniente ficar em casa. Mesmo com o avanço da doença e perda de algumas funções, como movimento de membros e dificuldade na fala, a fisioterapia pode contribuir com conforto, qualidade de vida e estímulo de funções que estão preservadas.

A cinesioterapia (exercícios terapêuticos) pode ser realizada de acordo com a tolerância do paciente. Através de exercícios específicos podemos manter ou melhorar a mobilidade e força muscular. Assim o paciente pode se locomover melhor ou alcançar e manipular objetos e brinquedos de forma segura. Nos casos de fadiga, os exercícios também ajudam na melhora da resistência e bem estar geral.

Quando o paciente tem dor, recursos como a eletroestimulação (eletroanalgesia), terapia manual, técnicas de relaxamento e orientações sobre posicionamento contribuem para o controle e diminuição. Assim o paciente se sente confortável, dorme melhor e fica mais disposto para realizar as atividades que fazem sentido para ele no seu dia a dia.

Alguns pacientes têm ansiedade e sensação de falta de ar. Exercícios respiratórios, técnicas específicas e um ambiente arejado auxiliam o paciente e contribuem para o manejo desses sintomas.

Independente do sintoma ou queixa, a fisioterapia deve contribuir com a equipe multidisciplinar que cuida do paciente com câncer, promovendo funcionalidade, alívio do sofrimento e manejo adequado dos sintomas mais comuns em fim de vida, para que o paciente atravesse esse processo natural, com conforto e dignidade.

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