Luiz da Costa Nepomuceno Filho – Coordenador do Diagnóstico Precoce – CRBM2: 11928 | CRF/RN: 6776

Às vezes, o corpo fala em sussurros. Um cansaço que não passa, uma palidez que chama atenção, manchas roxas que surgem sem explicação. Em meio à rotina, esses sinais podem parecer pequenos demais para preocupar. Mas, quando se trata de leucemia, ignorá-los pode custar tempo — e tempo, nesse contexto, é vida (CASA DURVAL PAIVA, 2018).

A leucemia é um tipo de câncer que se origina na medula óssea, local onde o sangue é produzido. Em vez de fabricar células saudáveis, a medula passa a produzir glóbulos brancos anormais, que não cumprem sua função de defesa e ainda atrapalham a produção das demais células do sangue. O resultado é um organismo vulnerável, mesmo quando, externamente, a doença ainda parece invisível (VIEIRA; DOS SANTOS; LOPES, 2025).

Entre os sinais mais comuns estão a fadiga intensa e persistente, palidez, febre frequente ou prolongada, infecções repetidas, sangramentos nasais ou gengivais, manchas roxas pelo corpo, dores ósseas e aumento dos gânglios (ínguas), especialmente no pescoço, axilas ou virilha. Em crianças e adolescentes, esses sinais podem ser confundidos com viroses comuns ou “dores do crescimento”, o que reforça a importância do olhar atento de familiares e profissionais de saúde (INCA, 2023).

Do ponto de vista científico, esses sintomas têm explicação clara: a redução das células normais do sangue. A falta de glóbulos vermelhos causa anemia e cansaço; a queda das plaquetas facilita sangramentos e hematomas; e o mau funcionamento dos glóbulos brancos aumenta o risco de infecções. Não é exagero, nem alarme desnecessário — é fisiologia, é evidência clínica (American Cancer Society, 2022).

A boa notícia é que a leucemia, quando diagnosticada precocemente, apresenta altas chances de cura, especialmente na infância. Exames simples, como o hemograma, podem ser decisivos para levantar a suspeita e acelerar o encaminhamento para o tratamento adequado (INCA, 2023).

Falar sobre leucemia é, acima de tudo, falar sobre atenção e cuidado. É aprender a ouvir o corpo, a valorizar sinais persistentes e a não normalizar o que foge do habitual. Porque reconhecer cedo não é apenas um ato de informação — é um gesto de amor, que pode mudar completamente a história de uma vida (CASA DURVAL PAIVA, 2018).

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Convulsões em crianças no processo de quimioterapia
Isabelle Resende – Farmacêutica Casa Durval Paiva – CRF 2541

Presenciar uma crise convulsiva em uma criança, especialmente durante um tratamento tão delicado quanto a quimioterapia, é uma experiência profundamente angustiante para os pais e cuidadores. É importante saber, que, embora não seja o efeito colateral mais comum, as convulsões podem ocorrer devido a diversos fatores relacionados ao tratamento ou à própria doença.

A quimioterapia e o câncer podem afetar o sistema nervoso de diferentes formas: neurotoxicidade direta: alguns medicamentos quimioterápicos (como o Metotrexato, Vincristina ou L-Asparaginase) podem causar irritação no tecido cerebral ou alterações vasculares; desequilíbrios metabólicos: O tratamento pode alterar os níveis de sódio, cálcio ou magnésio no sangue chamados de eletrólitos, ou causar flutuações na glicose, o que “desregula” a atividade elétrica do cérebro. Síndrome de Lise Tumoral: Quando muitas células cancerígenas morrem rapidamente, elas liberam substâncias no sangue que podem sobrecarregar o organismo e afetar o cérebro.

Como a quimioterapia baixa a imunidade, a criança fica mais suscetível a infecções e a febre. A febre alta pode ocasionar a (convulsão febril), bem como, infecções diretas no sistema nervoso (meningite), são gatilhos possíveis. Se o câncer envolver o Sistema Nervoso Central, a pressão intracraniana ou a localização do tumor podem causar essas crises.

Quando acontecer a crise convulsiva em uma criança em tratamento oncológico, tal fato deve ser reportado imediatamente à equipe de oncologia pediátrica. O médico provavelmente solicitará exames de imagem (como Ressonância ou Tomografia) e exames de sangue para verificar, dependendo do resultado será feito o ajuste do tratamento.

O farmacêutico entra na atuação junto com a equipe médica para avaliar as prescrições dos anticonvulsivantes. Em alguns casos, a dose da quimioterapia é ajustada ou medicações anticonvulsivantes são introduzidas, para prevenir novos episódios de convulsão.

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