A decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de punir a juíza da 13ª Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, com o afastamento do cargo por dois anos por falta de cautela e violação de deveres funcionais é mais um capítulo da “vingança” contra a Operação Lava Jato. A opinião é do jornalista Mário Sabino, publicada em sua coluna no portal Metrópoles.
Gabriela Hardt substituiu Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba e condenou Lula no processo do sítio de Atibaia. O colunista afirma que a juíza está sendo punida por erros administrativos enquanto aqueles que protagonizaram grandes esquemas de corrupção escaparam das consequências mais severas.
Foto: Gil Ferreira
Na avaliação de Mário Sabino, o caso representa uma inversão de valores no país. Para o jornalista, integrantes da Lava Jato passaram a ser tratados com rigor extremo por decisões tomadas no exercício da função, enquanto autoridades e figuras influentes que, segundo ele, cometeram crimes graves continuam protegidas pelo sistema. A Justiça, na opinião dele, estaria sendo usada para ajustar contas com quem combateu a corrupção, não para responsabilizar os corruptos.
O jornalista conclui que a punição de Gabriela Hardt aumenta a percepção de que a Lava Jato deixou de ser julgada por seus resultados no enfrentamento à corrupção e passou a ser alvo de uma revanche institucional. Para Sabino, o Brasil vive um momento em que quem aplicou a lei responde com mais rigor do que aqueles que se beneficiaram da impunidade.
“Vivemos em um país onde juízes honestos, como Gabriela Hardt, são submetidos aos rigores da lei, enquanto lei nenhuma se aplica a quem se julga acima dela, como ministros do STF. Não existe ‘falta de cautela’, ‘violação de direitos funcionais’ ou qualquer outra regra de contenção para eles”, escreve ele.