Apesar dos benefícios, amamentação exclusiva segue abaixo do recomendado; pediatra orienta sobre pega correta e sinais de alerta
A amamentação é reconhecida como uma das estratégias mais eficazes para proteger a saúde infantil e favorecer o desenvolvimento saudável. Ainda assim, menos da metade dos bebês menores de seis meses no mundo recebe apenas leite humano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF. As entidades também estimam que mais de 820 mil crianças menores de cinco anos poderiam ser salvas todos os anos com o aumento das taxas de amamentação.
A recomendação da OMS e do Ministério da Saúde é que a amamentação seja exclusiva até os seis meses de vida, sem oferta de água, chás, sucos ou outros alimentos, e mantida de forma complementar até os dois anos ou mais.
De acordo com a Dra. Gabriela Maia, coordenadora médica da equipe de pediatria da UPA Campo dos Alemães, unidade da Prefeitura de São José dos Campos e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, a amamentação deve ser entendida como cuidado integral, e não apenas como alimentação.
“O leite humano é muito mais do que alimento. Ele é um tecido vivo, produzido especialmente para atender às necessidades do bebê nos primeiros seis meses de vida. Além de fornecer todos os nutrientes de que a criança precisa nessa fase, contém anticorpos e outras substâncias que ajudam a fortalecer a imunidade, proteger contra doenças e contribuir para o desenvolvimento do intestino, do cérebro e de todo o organismo. A amamentação também fortalece o vínculo entre o bebê e quem amamenta, trazendo mais segurança, conforto e favorecendo um desenvolvimento saudável”, explica.
Benefícios vão além da nutrição
O impacto da amamentação não se limita ao período neonatal. Evidências científicas associam essa prática a melhores desfechos de desenvolvimento cognitivo e neuropsicomotor, além de contribuir para a formação do sistema imunológico e para a prevenção de agravos ao longo da infância.
A especialista ressalta, no entanto, que amamentar pode envolver dificuldades, especialmente nos primeiros dias após o nascimento. “Embora a amamentação seja um processo natural, é comum que os primeiros dias tragam dúvidas e desafios. Dor durante as mamadas, rachaduras nos mamilos, dificuldade do bebê para fazer a pega correta, pouco ganho de peso ou insegurança são sinais de que vale a pena buscar orientação de um profissional de saúde. Com o acompanhamento adequado desde o início, é possível superar essas dificuldades, tornar a amamentação mais confortável e reduzir o risco de desmame precoce”, pontua.
Pega correta ajuda a evitar dor e auxilia a mamada
Um dos pontos mais importantes para a continuidade da amamentação é a pega adequada. Alguns sinais indicam que o bebê está mamando de forma eficiente: boca bem aberta, lábios virados para fora, queixo encostado na mama e maior porção da aréola visível acima da boca do bebê. A sucção costuma ser ritmada, com pausas, e a pessoa que amamenta não deve apresentar dor persistente durante toda a mamada.
A livre demanda também é recomendada, ou seja, oferecer o peito sempre que o bebê demonstrar sinais de fome, sem estabelecer intervalos rígidos. Movimentos de busca, sucção das mãos, abertura da boca e inquietação costumam anteceder o choro e indicam que o bebê está pronto para mamar.
“O choro costuma ser um sinal tardio de fome. Reconhecer precocemente os sinais de prontidão para mamar favorece uma pega mais eficiente e uma mamada mais tranquila. Além disso, o acompanhamento do ganho de peso, da diurese, das evacuações e do estado geral do bebê é fundamental para avaliar se a amamentação está ocorrendo de forma eficaz”, afirma Dra. Gabriela.
Informação correta evita insegurança
Mitos ainda interferem na adesão à amamentação. Um dos mais comuns é a ideia de “leite fraco”. Segundo a pediatra, essa percepção geralmente está relacionada à falta de orientação ou à interpretação equivocada do comportamento do bebê.
“O conceito de ‘leite fraco’ não possui respaldo científico. A composição do leite humano varia naturalmente durante a mamada, ao longo do dia e conforme a idade do lactente, adaptando-se às suas necessidades nutricionais e imunológicas. Antes de considerar a introdução de fórmulas infantis ou outros alimentos, é fundamental que quem amamenta e o bebê sejam avaliados por um profissional de saúde, para identificar possíveis dificuldades e oferecer o melhor suporte”, reforça.
Outro ponto de atenção é evitar a culpabilização de pessoas que enfrentam dificuldades ou não conseguem amamentar, oferecendo escuta e cuidado individualizado de acordo com a realidade de cada família.
A família também exerce papel fundamental nesse processo. Apoiar quem amamenta significa compartilhar responsabilidades, proporcionar momentos de descanso, evitar julgamentos e incentivar a busca por assistência quando necessário. Pais, avós, companheiros, companheiras e demais cuidadores podem contribuir de forma significativa para essa experiência.
Diante de dor intensa, fissuras, febre, vermelhidão nas mamas, dificuldade persistente de pega, sinais de desidratação no bebê ou baixo ganho de peso, a orientação é procurar uma unidade de saúde. O acompanhamento precoce por profissionais capacitados permite identificar dificuldades, ajustar as técnicas necessárias e oferecer suporte individualizado, aumentando significativamente as chances de uma amamentação bem-sucedida.
Sobre o CEJAM
O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente , em 202 6 , a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
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