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O governo do Paraguai entregou nesta sexta-feira (31) uma nota de repúdio às declarações do presidente Lula (PT) acerca dos comentários do petista sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O documento foi entregue ao embaixador do Brasil no país, Marcondes de Carvalho, após ele ter sido convocado pelo presidente paraguaio para prestar esclarecimentos sobre as falas do chefe do executivo brasileiro.
A formalização do repúdio endereçado ao governo brasileiro, conforme informou a chancelaria paraguaia, foi entregue a Marcondes após o diplomata comparecer ao ato convocatório promovido pelo governo local. De acordo com o governo do país, a nota encaminhada ao Brasil expressa “desagrado e rejeição absoluta às recentes declarações do presidente brasileiro”.
Em reação às declarações de Lula, o governo de Santiago Peña convocou o embaixador brasileiro no país para prestar esclarecimentos. Na diplomacia, a convocação de um embaixador é considerado um ato de reprimenda, com o objetivo de transmitir insatisfação ao outro país.
“A dignidade do Paraguai não é negociável. Quero que saibam que, sob a liderança do Presidente Santiago Peña, abordamos esta questão ao mais alto nível desde o início. A diplomacia tem seu próprio tempo e procedimentos, e acreditem, a serenidade do Presidente tem sido fundamental para gerir esses tempos e procedimentos”, afirmou Rubén Ramírez Lezcano, chanceler do Paraguai.
O que foi a Guerra da Tríplice Aliança
- A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul.
- Seu estopim foi a intervenção militar do Império do Brasil na guerra civil uruguaia, movimento interpretado pelo governo de Francisco Solano López como uma ameaça ao equilíbrio de poder na Bacia do Prata.
- Em resposta, o Paraguai declarou guerra ao Brasil e, posteriormente, entrou em conflito também com Argentina e Uruguai, que formaram a Tríplice Aliança.
- O conflito terminou em 1870, após cinco anos de combates, deixando o Paraguai devastado territorial, econômica e demograficamente.
- Estimativas paraguaias apontam que cerca de 70% da população do país morreu durante a guerra, tornando o episódio um dos maiores traumas da identidade nacional.
Fala de Lula
O presidente Lula provocou uma crise diplomática com o Paraguai ao afirmar que o país vizinho “resolveu invadir o Brasil” durante a Guerra do Paraguai. A declaração do mandatário brasileiro ocorreu na última sexta-feira (24/7) durante agenda em São Paulo. Na ocasião, Lula afirmou que o Paraguai deu início a um dos maiores conflitos da América do Sul após invadir o Brasil e o Uruguai.
“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”, afirmou o presidente na última sexta.
A declaração não foi bem vista pelo país vizinho que reagiu diplomaticamente e convocou o embaixador brasileiro no país para prestar esclarecimentos. O Congresso do Paraguai também se manifestou em repúdio a declaração do petista ao afirmar que as declarações “destorcem” a história“.
Além da convocação ao embaixador, o chanceler paraguaio também contatou seu homólogo no Brasil, o ministro Mauro Vieira, para tratar sobre o episódio. Lula e o presidente Santigo Peña, que têm uma boa relação, também conversaram sobre as declarações do petista.
Ainda segundo o Paraguai, “a distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de ambos os povos, mas sim reabre antigas feridas”.
Com informações do Metrópoles