Foto:  Reprodução/Safra

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira (30) que a política da autarquia de manter o patamar dos juros elevados criou uma “gordura” que possibilita ao Brasil cortar a taxa básica mesmo em meio à pressão da guerra do Oriente Médio.

O BC iniciou neste mês um ciclo de cortes na Selic. Na primeira redução desde junho do ano passado, o Copom cortou 25 pontos base e puxou os juros para 14,75%. Apesar disso, o conflito entre Estados Unidos e Irã fez o comitê hesitar num corte de 0,5 ponto percentual.

“Essa gordura que foi acumulada com uma posição mais conservadora ao longo das últimas reuniões do Copom nos permitiu, mesmo diante de novos fatos, não alterar a conjuntura como um todo. Então a gente decidiu seguir com a nossa trajetória e iniciar o ciclo de calibragem da política monetária”, declarou Galípolo no evento J.Safra Macro Day, em São Paulo.

A ata do Copom divulgada na semana passada disse que o corte de 0,25 ponto percentual se deu em meio a um “aumento de incerteza” provocado pela guerra no Golfo Pérsico. O colegiado informou que “magnitude e duração” de ajustes nos juros dependem de novas informações sobre impactos do conflito na inflação.

Nessa linha, Galípolo disse que o ciclo de cortes pode ser alterado caso o BC julgue que os impactos da guerra cresçam sobre o Brasil.

“A gente entende que a gordura permitiu a gente ganhar tempo, tomar tempo para ver, para entender, para aprender mais. Ganhar tempo significa dar para a gente continuar na trajetória que a gente entendia, no plano que a gente tinha entendido”, afirmou.

Galípolo declarou ainda que os juros altos colocam o país em uma situação favorável de enfrentamento à crise em comparação a outros bancos centrais. O presidente do Banco Central também creditou a essa posição do Brasil o papel produtor e exportador de petróleo.

SBT News