
No auge do verão, cresce o número de pessoas que decidem iniciar atividades físicas de forma repentina, muitas vezes sem preparo adequado ou acompanhamento profissional. O comportamento, comum nesta época do ano, aumenta significativamente o risco das chamadas “lesões de fim de semana”, alerta o ortopedista da Hapvida, Carlos Dória.
Segundo o especialista, o corpo humano precisa de tempo para se adaptar às exigências do exercício. “Em pessoas sedentárias, músculos, tendões, articulações e o sistema cardiovascular estão descondicionados. Quando ocorre um esforço intenso e súbito, o organismo não tem resistência suficiente para absorver impacto e carga, o que favorece lesões”, explica.
Entre os problemas mais frequentes estão estiramentos e distensões musculares, principalmente em coxas e panturrilhas, além de tendinites, canelite e entorses de tornozelo e joelho. Alguns perfis apresentam risco ainda maior, como pessoas acima dos 40 anos, indivíduos com sobrepeso, quem passou longos períodos sem praticar atividade física e ex-atletas. “A memória mental da capacidade física anterior pode levar ao exagero, enquanto o corpo já não responde da mesma forma”, destaca Dória.
O ortopedista ressalta que é fundamental diferenciar a dor esperada da adaptação muscular dos sinais de alerta. “A dor muscular difusa, que surge entre 24 e 48 horas após o exercício e melhora com movimento leve, costuma ser esperada. Já a dor aguda, localizada nas articulações ou tendões, acompanhada de inchaço ou que piora durante a atividade, indica lesão e exige interrupção imediata”, afirma.
Para prevenir problemas, os cuidados básicos fazem toda a diferença, especialmente no calor. Hidratação constante, escolha de horários fora do sol mais intenso, uso de roupas leves e progressão gradual da intensidade são recomendações essenciais. “O ideal é começar com sessões de 20 a 30 minutos, em intensidade leve a moderada. Quem pretende realizar exercícios mais intensos deve passar por avaliação médica prévia”, orienta.
Já os sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, desmaios, palpitações descontroladas ou dor articular que impede o movimento são sinais de alerta e exigem busca imediata por atendimento médico.

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