O presidente Lula (PT) se reuniu recentemente com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com um grupo de economistas de dentro e de fora do governo que o alertaram sobre a possibilidade de uma forte alta da inflação já nos próximos meses caso o dólar siga disparando. A subida da moeda norte-americana encarece a compra de produtos e insumos importados e tem impacto direto nos preços brasileiros.

De acordo com um dos integrantes da conversa, que reuniu expoentes do chamado desenvolvimentismo, Lula está “justamente indignado” com o que seria um movimento especulativo contra seu governo –e com a tentativa de fazer a corda do ajuste fiscal estourar no lado mais fraco. Ou seja, o da população mais pobre. Por isso o presidente estaria repetindo em entrevistas que não se dobrará a essa receita. O petista, no entanto, foi aconselhado a baixar o tom de suas críticas ao mercado e ao Banco Central.

Melhor do que falar, aconselharam os economistas, seria fazer de forma mais discreta o que ele tem repetido: preservar o salário mínimo, as aposentadorias e benefícios e a área da saúde e da educação de cortes e alterações de cálculos que diminuam seus reajustes.

O grupo, de acordo ainda com convidados, não vincula a subida do dólar apenas às falas de Lula —mas, sim, a fatores fora do controle dele, como a alta dos juros norte-americanos, por exemplo.

Mônica Bergamo – Folha de S. Paulo